BAHIA

VALDERICO DEIXA DE RECEPCIONAR ACM NETO E, SEGUNDO RUMORES, TENTA FAZER MÉDIA COM JERÔNIMO

Entenda: prefeito de Ilhéus teria evitado exposição ao lado dos aliados enquanto aposta em uma aproximação com o governador.

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Neste sábado (24), o grupo bolsonarista liderado na Bahia por ACM Neto (União Brasil) realizou uma carreata em Itabuna em apoio a Flávio Bolsonaro. Neto e João Roma participaram da mobilização na reta final da campanha presidencial.

Segundo as informações recebidas pelo Novas Notícias, os dois desembarcaram no aeroporto de Ilhéus, mas não foram recepcionados pelo prefeito Valderico Júnior. Mesmo estando na cidade, o gestor não teria comparecido ao aeroporto nem participado do evento.

A ausência chama atenção pelo histórico de compromissos políticos. Valderico recebeu o apoio do PL na eleição municipal de 2024, quando Coronel Resende retirou sua candidatura e o partido passou a apoiar o então candidato do União Brasil.

Neste ano, o próprio prefeito esteve nas ruas pedindo votos para ACM Neto e João Roma, integrantes da chapa que apoiou na eleição estadual. Agora, na passagem dos aliados pela região, teria faltado até mesmo o gesto de recebê-los.

De acordo com rumores relatados à redação, Valderico teria contribuído, à sua maneira, para a realização do evento, mas preferido se preservar de uma declaração pública de apoio a Flávio Bolsonaro.

A explicação que acompanha esses rumores é política: depois de apostar na vitória de ACM Neto e ver Jerônimo Rodrigues conquistar a reeleição, o prefeito estaria receoso de assumir outra aposta que, em caso de derrota, pudesse ampliar seu isolamento.

Nessa versão dos bastidores, seria mais conveniente manter distância de ACM Neto e Flávio Bolsonaro, ao menos publicamente, e tentar fazer média com Jerônimo. Uma tentativa de buscar algum fôlego político justamente quando suas relações com antigos aliados começam a ser colocadas à prova.

O problema é que essa conta pode não fechar.

De um lado, o silêncio de Valderico pode comprometer um eventual apoio do PL à sua reeleição em 2028. O partido que abriu mão de uma candidatura própria para ajudá-lo a chegar à Prefeitura pode cobrar reciprocidade quando precisar dele.

Do outro, uma possível aproximação com Jerônimo seria a “aposta” para tentar prolongar a sustentação política de seu governo. Mas querer se aproximar não significa ter a porta aberta, muito menos garantir que o governador esteja disposto a oferecer o acolhimento esperado.

Como observador, vejo Valderico se encurralando nas próprias falas e decisões.

E ainda inventou de abrir outra frente de conflito.

Segundo publicação do Ilhéus Net, Valderico está decidido quanto à exonerar indicados do grupo de Jabes Ribeiro no final de outubro.

Se esse movimento se confirmar, o prefeito estará colocando em risco parte da base que sustenta seu próprio governo justamente quando, pela leitura dos bastidores, procura uma saída para o isolamento.

Para quem se apresenta como estrategista, é uma escolha difícil de compreender: distancia-se dos aliados de campanha, tenta se aproximar do adversário que venceu e ainda ameaça romper com um grupo que participa da sustentação de sua gestão.

Na minha leitura, Valderico está ajudando a construir o próprio cerco.

Errado estava Tiririca. Pior que tá fica, sim.

David Reis – Redator Investigativo do Novas Notícias

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