BAHIA

ACM NETO RECEBE R$ 400 MIL DE EX-BANQUEIRO QUE FOI CONDENADO POR GESTÃO FRAUDULENTA

Entenda: Ângelo Calmon de Sá comandou o Banco Econômico e mantinha proximidade com Antônio Carlos Magalhães, que intercedeu pela instituição durante a crise de 1995.

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O ex-banqueiro Ângelo Calmon de Sá, ex-presidente do Banco Econômico e alvo de condenações por crimes contra o sistema financeiro, doou R$ 400 mil à campanha de ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia em 2026. O valor aparece na prestação de contas do candidato disponível no Tribunal Superior Eleitoral. Consulte o registro no DivulgaCandContas.

A contribuição reúne personagens de uma relação que atravessa gerações da política baiana. Em 1995, quando o Banco Econômico sofreu intervenção do Banco Central, o então senador Antônio Carlos Magalhães, avô do candidato, mobilizou-se junto ao governo federal para discutir o tratamento destinado à instituição.

Na edição de 12 de agosto daquele ano, a Folha de S.Paulo registrou que ACM classificou a intervenção como um “crime contra a economia baiana”. A reportagem descreveu Calmon de Sá como “íntimo amigo de ACM” e relatou telefonemas do senador ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. A cobrança envolvia assegurar os depósitos dos clientes e oferecer tratamento semelhante ao destinado ao Banespa e ao Banerj. Leia a reportagem da Folha.

O vínculo também está documentado pela Agência Senado. Em pronunciamento de 23 de agosto de 1995, ACM contou que Calmon de Sá o havia procurado em maio para que conversasse com o então presidente do Banco Central, Persio Arida, sobre a situação do Econômico. No mesmo discurso, o senador atribuiu responsabilidade pela crise tanto ao Banco Central quanto aos dirigentes do banco. Confira o registro do Senado.

Anos depois, vieram decisões condenatórias. Em reportagem publicada em 16 de março de 2000, a Folha informou que Calmon de Sá e outros quatro ex-diretores haviam sido condenados pela Justiça Federal da Bahia a quatro anos de prisão, em regime semiaberto, por gestão fraudulenta. A sentença foi proferida pelo juiz Márcio Flávio Mafra Leal, da 2ª Vara Federal. Segundo o jornal, o ex-banqueiro negava irregularidades e seus advogados anunciavam recurso. Os condenados podiam recorrer em liberdade. Leia a notícia da época.

Em outro processo, na Justiça Federal de São Paulo, Calmon de Sá recebeu, em 2007, uma sentença de 13 anos e quatro meses por gestão fraudulenta. Essa pena foi posteriormente reduzida para oito anos e sete meses, conforme noticiado em 2015, quando o Ministério Público buscava sua ampliação. O desfecho definitivo dos recursos não foi confirmado nesta apuração. Veja a condenação de 2007 e o relato sobre a redução da pena.

A doação eleitoral, por si só, não demonstra irregularidade ou troca de favores. Mas acrescenta um capítulo à relação documentada entre o ex-banqueiro e a família Magalhães: em 1995, ACM intercedia pela situação do Econômico; em 2026, o antigo controlador do banco contribui com R$ 400 mil para a campanha de seu neto.

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