
Ter entrado para o seleto grupo de amigos de confiança do presidente Lula, o que, por extensão, significa inclusive ter direito de disputar partidas de futebol contra o “imbatível” clube Politheama, do cantor e compositor Chico Buarque, é apenas uma das credenciais que sustentam a candidatura a deputado federal do ex-coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), Deyvid Bacelar. Ele inaugurou nesta sexta-feira (5/9), na Praça do Gastão Guimarães, em Feira de Santana, o comitê oficial de sua campanha, que segue de vento em popa pelos 27 territórios de identidade do estado da Bahia.
Candidato já reconhecido por grande parte dos baianos como o “preferido de Lula”, principalmente por ter vindo do chão da fábrica (refinaria Landulpho Alves) e por ocupar atualmente dois conselhos do governo federal (o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável – CDESS, e o Conselho de Participação Social – CPS), Bacelar é o nome por detrás de programas como Gás do Povo, que vem possibilitando a 15 milhões de famílias de baixa renda no Brasil o acesso ao botijão de gás de cozinha gratuito. “Se Lula é hoje o rei do Brasil, Deyvid Bacelar é o príncipe herdeiro”, aposta o ex-vereador de Salvador Moisés Rocha.
“Quero muito agradecer a todas as pessoas que contribuíram para que a inauguração do nosso comitê em Feira de Santana fosse um sucesso. Foi um momento lindo de encontros e reencontros, e de marcação de território na maior cidade do interior do Norte e Nordeste do Brasil”, celebrou Bacelar. Na próxima terça-feira (8/9), a partir das 18h, será o dia de inauguração de seu comitê em Salvador (Rua Conselheiro Pedro Luiz, 668, Rio Vermelho).
Para o presidente Lula, a presença de Deyvid Bacelar na Câmara dos Deputados e Deputadas será o pontapé inicial para a construção de uma bancada de trabalhadores no Congresso Nacional, hoje dominado pela bancada da bala, do agro e dos falsos profetas. Deyvid Bacelar é reverenciado porque participou ativamente, como líder sindical, na luta contra as privatizações ocorridas durante os governos de Michel Temer e de Jair Bolsonaro. O sindicalista esteve à frente também da luta pela retomada dos investimentos da Petrobras na Bahia, pela reinjeção de investimentos na indústria naval e na indústria de fertilizantes, e na defesa do programa Gás do Povo, quando amplos setores do mercado tentavam inviabilizar políticas sociais.
De acordo com Bacelar, a formação de uma bancada de trabalhadores no Congresso Nacional será um instrumento para tornar o parlamento “amigo do povo brasileiro”. Em ato em Brasília, ele afirmou que a marcha dos trabalhadores pressiona o Congresso por pautas como o fim da escala 6×1. Para ele, a presença de petroleiros, professores, agricultores e operários é antídoto contra projetos que retiram direitos da classe trabalhadora.
Um de seus mais duros combates tem sido travado na busca da reestatização da refinaria Landulpho Alves, “vendida a preço de banana durante o governo Bolsonaro para o Grupo Mubadala, que rebatizou a segunda maior refinaria do país como Acelem. Trazer a refinaria de volta para o seio do estado, segundo ele, será a cereja do bolo para a economia baiana, visto que a Petrobras vive uma nova fase no estado. “A RLAM faz falta porque foi privatizada sob fake news de que a concorrência baixaria preço”, explica. Mas o resultado foi monopólio regional, risco de desabastecimento e botijão a R$ 160 em Feira contra R$ 105 no resto do país. “A recompra da Rlam pela Petrobras é questão de quando, não de se”, afirma Bacelar, destacando que o presidente Lula já se manifestou publicamente a favor da recompra em diversas ocasiões nos últimos meses. As negociações com o Mubadala estão travadas por impasse de valor: o fundo quer mais do que pagou, enquanto a refinaria opera com 63% a 65% de capacidade, com prejuízo e perda de R$ 500 milhões/mês em ICMS para a Bahia.
Ainda segundo Bacelar, a estatal vai investir US$ 3 bilhões, mais de R$ 15 bilhões, apenas em exploração e produção na Bahia nos próximos anos, com a perfuração de 109 novos poços e revitalização de quase 2 mil. “Oito anos se passaram sem um único poço novo no estado. Com a retomada, o resultado já aparece: as unidades da Petrobras na Bahia empregam hoje 7.600 pessoas e só o programa de perfuração gerou 1.500 novos postos de trabalho nos últimos três anos”, afirma o sindicalista. A produção da estatal no estado saltou de 12 mil para 18 mil barris por dia.
Defensor de uma transição energética justa, Bacelar afirma que “sem priorizar a agricultura familiar, não teremos uma transição energética justa”. Para ele, o processo não pode ser ameaça à sobrevivência dos trabalhadores, mas oportunidade de sucesso. O caminho, diz, é o Estado coordenar a transição. “A matriz energética global ainda necessita de petróleo e gás natural, por isso falamos em transição, não em disruptura. Haverá convivência entre fósseis e energia limpa. A exploração na Margem Equatorial, com 31 bilhões de barris estimados, ajudará a financiar renováveis”, defende. Ele insiste também em dizer que entregar a transição ao setor privado precariza: “A Bahia é a maior produtora de energia eólica, mas gera empregos em menor quantidade e pior qualidade”.
Sobre a refinaria verde, Bacelar comemora o lançamento da maior biorrefinaria da América Latina, da Inpasa, em Luís Eduardo Magalhães. “É a transição energética acontecendo na Bahia e inspirando o Brasil. E é só o começo”. A planta deve gerar 2.500 empregos na construção e 450 diretos e 1.500 indiretos na operação, com produção de 460 milhões de litros de etanol por ano.
Bacelar foi um dos articuladores da retomada do Estaleiro Enseada do Paraguaçu e do Canteiro de São Roque, em Maragogipe. “Só na indústria naval, a construção de seis navios de apoio offshore no Estaleiro Enseada deve gerar 4.600 postos de trabalho”. O canteiro de São Roque está cotado para descomissionamento de plataformas, mas atualmente foi cedido ao estado para armazenar os equipamentos que vão construir a ponte Salvador-Itaparica. Com encomenda da LHG Logística de 400 balsas e 15 empurradores e financiamento de R$ 3,7 bilhões do Fundo da Marinha Mercante, o Estaleiro Enseada já criou 940 postos diretos e indiretos.
Já a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) de Camaçari é estratégica, segundo Bacelar, para a soberania alimentar. “O Brasil ainda importa até 90% dos fertilizantes. As duas fábricas no Nordeste (a outra fica em Laranjeiras, Sergipe) estão gerando cerca de quatro mil empregos”.
Bacelar foi também articulador do programa Gás do Povo, que desde novembro de 2025 e, até março de 2026, já atendia 15,5 milhões de domicílios, triplicando os 5,6 milhões do Auxílio Gás. A meta é 65 milhões de recargas por ano, beneficiando 50 milhões de pessoas, com 92% dos lares chefiados por mulheres.
A principal mudança, segundo ele, é a retirada gratuita do botijão nas revendas, e não mais em dinheiro, para combater a pobreza energética, já que 30% da energia para cozinhar ainda vinha de lenha ou carvão. Para Bacelar, setores que tentam inviabilizar o programa são os que defendem a privatização da RLAM e o fim do papel social da Petrobras, “na contramão da soberania nacional”.
O programa, aprovado pela Câmara em fevereiro de 2026 por 415 votos a favor e ampliado pelo Senado para 17 milhões de famílias, já tem R$ 5,1 bilhões no orçamento de 2026 e chegou a todos os municípios em 23 de março.


