VEREADORA ACUSA ALIADO DE ACM NETO DE OFERECER CIRURGIAS POR VOTOS
Vereadora Lara Fernandes, esposa do vice-prefeito de Vitória da Conquista, denuncia candidato do União Brasil que já responde a ação por abuso de poder na Justiça Eleitoral

Wagner Alves (União Brasil), candidato a deputado estadual pelo grupo político de ACM Neto e marido da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), é acusado de oferecer cirurgias e atendimentos em hospitais da região em troca de votos e de apoio político. A denúncia é da vereadora Lara Fernandes (Republicanos), esposa do vice-prefeito Aloísio Alan, que relatou ter tomado conhecimento da prática durante a campanha pelas cidades vizinhas a Conquista. Segundo ela, a oferta de procedimentos de saúde é usada como moeda de troca eleitoral.
A acusação surge quando Wagner já responde a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral por abuso de poder político e econômico. A ação sustenta que a Prefeitura de Vitória da Conquista foi transformada em estrutura de campanha para o marido da prefeita, com a criação de cargos comissionados em larga escala para acomodar lideranças políticas, ex-candidatos e parentes de vereadores aliados, além da exposição dele no Arraiá da Conquista, festa bancada com dinheiro público. O pedido é de cassação do registro e inelegibilidade por oito anos para ele e para a prefeita.
*Colapso na saúde*
A denúncia de troca de cirurgias por votos ocorre em meio ao colapso da rede municipal de saúde sob a gestão do grupo de ACM Neto em Conquista. A Lei Orçamentária de 2026, elaborada pela gestão Sheila Lemos, impôs corte de milhões de reais na pasta, enquanto a Prefeitura manteve os gastos com festas de grande porte.
Na Câmara Municipal, vereadores relatam falta de medicamentos e insumos básicos, suspensão da coleta laboratorial na zona rural, fila travada para cirurgias eletivas e pacientes que esperam exames por até três anos. A crise chegou ao Hospital Unimec, unidade privada que atende pelo SUS e anunciou o encerramento dos serviços.
No mesmo período, a Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista abriu credenciamento de empresas para um mutirão de cirurgias eletivas. A chamada pública foi lançada após o início oficial da campanha. Com a fila represada por decisão da própria gestão, o controle sobre quem entra no mutirão e por qual critério passa a ser questão eleitoral.
A Justiça Eleitoral já firmou entendimento de que a oferta de consultas, exames e cirurgias a eleitores em troca de voto configura captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico, com cassação e inelegibilidade para quem se beneficia.


