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BAHIA

Além da visitação: conheça o trabalho do Zoo Bahia na proteção dos animais silvestres

Foto: Matheus Lemos/Ascom Sema
Resumo da notícia

Essas ações ganham relevância diante das crescentes pressões sobre a biodiversidade.

Muito além de receber visitantes e aproximar a população de diferentes espécies, os zoológicos desempenham um papel importante na conservação da fauna, na pesquisa científica, no manejo animal e na educação ambiental. No Parque Zoobotânico da Bahia (Zoo Bahia), esse trabalho envolve a participação em programas de conservação, ações de reprodução e manejo populacional, além da cooperação com outras instituições em iniciativas voltadas à proteção de espécies silvestres.

Essas ações ganham relevância diante das crescentes pressões sobre a biodiversidade. A fragmentação e a destruição de habitats, a poluição, o tráfico ilegal de animais silvestres, os atropelamentos e os conflitos entre a fauna e as atividades humanas estão entre os fatores que ameaçam a sobrevivência de diversas espécies.
O Brasil enfrenta o desafio de proteger sua expressiva diversidade biológica. Em 2026, a atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção passou a reconhecer 1.279 espécies da fauna brasileira ameaçadas, conforme dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Desse total, 378 são peixes, 376 invertebrados, 241 aves, 123 répteis, 102 mamíferos e 59 anfíbios.

Nesse contexto, o Zoo Bahia, gerido pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em Salvador, desenvolve atividades voltadas à conservação da fauna, ao bem-estar animal e à sensibilização ambiental. Além do manejo dos animais mantidos sob cuidados humanos, a instituição participa de programas de conservação e estabelece parcerias com outras organizações para contribuir com a proteção de espécies silvestres.

Entre as iniciativas estão projetos de conservação in situ, realizados nos próprios ambientes naturais das espécies, que contam com financiamento, apoio e participação de diferentes instituições. O trabalho também envolve planejamento reprodutivo, avaliações sanitárias, acompanhamento técnico e cooperação entre zoológicos e instituições especializadas, com o objetivo de contribuir para a manutenção de populações geneticamente saudáveis.

De acordo com Ana Celly Lima, gestora do Zoo Bahia, a instituição desenvolve ações de manejo populacional há anos. Um dos exemplos é a reprodução de uma harpia (Harpia harpyja). Segundo ela, o Zoo Bahia foi a segunda instituição brasileira a obter êxito no manejo reprodutivo da espécie e na criação de um filhote.

“O animal foi posteriormente transferido para outra instituição, como parte de um programa de manejo populacional, com a perspectiva de integrar um futuro pareamento reprodutivo. A iniciativa exemplifica como a cooperação entre instituições pode contribuir para a manutenção de populações de espécies que demandam cuidados especializados”, frisou.

Outro exemplo citado pela gestora é o de uma onça-pintada de pelagem preta, nascida no Parque e criada sob cuidados humanos. Ao atingir a idade adequada, o animal foi encaminhado ao Criadouro Conservacionista Onça Pintada, no Paraná, para uma tentativa de reprodução com uma fêmea. “A proposta era contribuir para um programa de conservação, com a possibilidade de que futuras gerações participassem de iniciativas de soltura. Embora o pareamento não tenha apresentado o resultado esperado, o animal permanece na instituição de destino, onde representa um banco genético”, pontuou.

As ações de manejo populacional também incluem a transferência de animais entre instituições, considerando critérios técnicos e genéticos. Em maio de 2026, uma fêmea de mico-leão-de-cara-dourada foi transferida do Zoo Bahia para o Zoológico Municipal de Curitiba. A iniciativa integrou um programa de conservação desenvolvido em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB).

A transferência foi planejada considerando aspectos genéticos e familiares, com o objetivo de favorecer a diversidade genética da população da espécie mantida sob cuidados humanos. Avaliações sanitárias, identificação individual e planejamento do transporte estão entre os procedimentos necessários para garantir a segurança e o bem-estar dos animais envolvidos.

Já em junho de 2026, o Zoo Bahia recebeu três lobos-guará provenientes de um criadouro conservacionista de Minas Gerais. A chegada dos animais está relacionada ao Programa de Manejo Populacional da espécie, que reúne instituições em uma estratégia coordenada de conservação.

A gestora destaca ainda que animais nascidos em zoológicos podem, futuramente, integrar programas de reintrodução na natureza, desde que atendam aos critérios técnicos necessários. Para isso, é necessário um processo de preparação que inclui reabilitação, enriquecimento e treinamento, como explica: “É preciso desenvolver um trabalho de reabilitação, enriquecimento e treinamento, preparando os indivíduos para os desafios da vida na natureza”.

Fonte: Ascom/Inema

Fonte: Governo da Bahia.

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