Emenson Silva: “Em Ilhéus, reforma de fachada, velhas práticas e uma gestão que continua patinando!”

Por Emenson Silva | Artigo de opinião
O prefeito Valderico Júnior anunciou mudanças no governo, mas o que se viu foi uma verdadeira reforma de seis por meia dúzia. Trocar nomes de secretarias, deslocar pessoas de uma cadeira para outra e reorganizar aliados não significa fazer reforma administrativa. Muito menos promover a tão esperada reforma política.
Na prática, mudou-se a posição das peças, mas o tabuleiro continua o mesmo. Vinícius Ibrahim vai para a Educação, Evani assume a Secretaria da Mulher e Vanessa segue para a Promoção Social. E fica a pergunta: onde está a renovação administrativa prometida? Onde está o novo modelo de gestão?
A Educação, que merece atenção especial diante dos questionamentos envolvendo a gestão da merenda escolar e da operação da Polícia Federal, precisa de muito mais do que uma simples troca de comando. Precisa de transparência, responsabilidade, planejamento e competência administrativa.
O mais preocupante é que a administração continua operando sob uma estrutura organizacional herdada da gestão anterior. Ou seja, nem sequer conseguiu construir o próprio organograma administrativo. Como falar em mudança quando os fluxos, os vícios e os problemas de funcionamento permanecem praticamente intocados?
Na política, o prefeito também parece ter confundido estratégia com arrogância. Ao descartar Jabes Ribeiro e seu grupo, talvez tenha imaginado que estava dando um xeque-mate. Mas política não é jogo de vaidade pessoal. É articulação, diálogo, construção e capacidade de compreender as forças que se movimentam no tabuleiro. E quem conhece a história política de Ilhéus sabe que esse grupo já ocupou a Prefeitura por diversos mandatos e conhece muito bem o caminho da oposição.
O prefeito ainda tem muito a aprender sobre política, especialmente que narcisismo e autossuficiência não substituem liderança. Governar não é acreditar que se sabe tudo, nem imaginar que todos dependem exclusivamente das próprias decisões.
Enquanto isso, a cidade real continua esperando!
As comunidades seguem abandonadas, o concurso público prometido permanece na gaveta, o sistema de transporte coletivo enfrenta uma crise que penaliza diariamente a população e os espaços destinados aos programas sociais funcionam sem a estrutura e o apoio governamental necessários.
Mas, aparentemente, há tempo para rearrumar cargos, acomodar aliados e produzir anúncios políticos. O que não se consegue é entregar respostas concretas à população.
Ilhéus não precisa de uma reforma de nomes. Precisa de uma reforma de mentalidade, de gestão, de planejamento e, sobretudo, de compromisso público.
Prefeito, governar não é trocar seis por meia dúzia. É fazer diferente, entregar resultados e assumir responsabilidades.
A população não vive de organograma, fotografia oficial ou discurso de mudança. Vive de transporte digno, educação de qualidade, serviços públicos eficientes, políticas sociais estruturadas e respeito.
O mandato está em andamento, mas a paciência da população não é infinita.
Porque, até agora, a grande mudança parece ter acontecido apenas nas cadeiras do governo. Para o povo de Ilhéus, a realidade continua exatamente a mesma!
Artigo de responsabilidade do professor e presidente do maior curso para concursos da Bahia, Gabaritando, professor Emenson Silva.



