BAHIA

“APRENDA A RESPEITAR A BAHIA”: JERÔNIMO REBATE CAIADO APÓS FALA SOBRE BAIANOS “ALFORRIADOS”

Governador classificou a declaração como ofensiva e afirmou que a escolha da palavra revela uma visão colonialista sobre o povo baiano

O governador Jerônimo Rodrigues reagiu com firmeza após Ronaldo Caiado afirmar que o povo baiano se sentiria “alforriado” com uma eventual vitória de seu grupo político na Bahia.

A utilização da palavra provocou críticas por sua ligação direta com o período da escravidão. Historicamente, a carta de alforria era o documento concedido a uma pessoa escravizada para reconhecer sua liberdade.

Em um estado marcado pela resistência negra, indígena e popular, a declaração ganhou uma dimensão ainda mais grave.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Jerônimo afirmou que não responderia apenas como governador, mas também como baiano e descendente de pessoas que sofreram com a escravidão e a exploração.

“Eu não vou responder apenas como governador. Vou responder como baiano. Baiano descendente de negros e indígenas, descendente de pessoas que foram verdadeiramente escravizadas, exploradas e espoliadas dos seus direitos e da sua liberdade.

A sua declaração talvez tenha sido uma das mais ofensivas e infelizes já dirigidas ao povo baiano. Não é só uma palavra. As palavras revelam os valores de cada um e como cada um enxerga o mundo.

Ele olha para a Bahia e vê escravizados a serem alforriados. Na Bahia não há escravos, Caiado. Há um povo que nunca aceitou viver de joelhos. Um povo que enfrentou a escravidão histórica, enfrentou o autoritarismo e disse não ao bolsonarismo que você e ACM Neto apoiaram e agora fingem criticar.

A Bahia sabe que, no final, vocês acabam todos sempre juntos. Não há mais espaço para o seu colonialismo. Quer governar? Aprenda primeiro a respeitar a Bahia e os baianos.”

A resposta de Jerônimo não se limitou à disputa eleitoral. O governador buscou atingir o significado político e histórico da expressão utilizada por Caiado.

Ao falar em “alforriar” a Bahia, a declaração transmite, mesmo que essa não tenha sido a intenção alegada, a ideia de que os baianos seriam um povo submetido, incapaz de decidir o próprio destino e dependente da chegada de um suposto libertador.

É justamente nesse ponto que a indignação do governador se mostra compreensível.

A Bahia não precisa ser libertada por políticos que aparecem em período eleitoral oferecendo salvação. Foi o povo baiano que participou de algumas das maiores lutas pela Independência do Brasil, enfrentou a escravidão e construiu uma das culturas mais fortes e reconhecidas do país.

É legítimo criticar governos, apresentar projetos diferentes e disputar eleições. Isso faz parte da democracia. O que não pode ser naturalizado é o uso de expressões que diminuem a história, a inteligência e a liberdade política de milhões de baianos.

Antes de tentar governar a Bahia ou pedir o voto de sua população, qualquer candidato precisa compreender algo básico: o povo baiano não precisa de alforria. Precisa de respeito.

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