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Centro Cultural Solar Ferrão sedia I Simpósio Internacional de Museus e Museologias Antirracistas

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Foto: Fernando Barbosa/IPAC

O Centro Cultural Solar Ferrão, equipamento cultural administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), recebe, nesta quarta-feira (4) e quinta-feira (5), o I Simpósio Internacional de Museus e Museologias Antirracistas (I SIMMA). O encontro reúne representantes de instituições museológicas, pesquisadores, gestores, profissionais da cultura, estudantes e integrantes da sociedade civil para debater estratégias de enfrentamento ao racismo e a construção de práticas mais inclusivas no campo museológico.

A iniciativa integra o projeto “Ações Antirracistas em Museus: Redes Tecidas entre Brasil, América Latina e Caribe”, desenvolvido pelo Comitê Permanente Antirracista do Conselho Internacional de Museus (ICOM Brasil), em parceria com a Rede Museologia Kilombola (RMK) e o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), com apoio institucional do IPAC.

A escolha da Bahia para sediar a primeira edição está relacionada à relevância histórica e cultural do estado e à presença da população negra na formação de Salvador. Para Lucas Ribeiro, presidente da Rede Museologia Kilombola, realizar o simpósio na capital baiana e no Solar Ferrão também representa uma oportunidade de ocupar espaços institucionais com pautas relacionadas à equidade racial. “Desde o início, a gente pensou em trazer o primeiro simpósio internacional de museus e museologia antirracista para o estado da Bahia, por Salvador ser uma cidade negra. Estar em um espaço como o Solar Ferrão também evidencia a importância desse território e a dianteira do IPAC e do Governo do Estado nesse debate”, destacou.

A programação desta quarta-feira teve início com a mesa institucional de abertura, seguida de debates sobre os desafios para a implementação de políticas antirracistas nas instituições museológicas brasileiras e a diversidade entre trabalhadores e públicos da cultura. Na ocasião, o diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos Filho, destacou a importância de ampliar a presença de pessoas negras nos espaços de gestão e decisão dos museus, bem como de fortalecer narrativas que reconheçam e valorizem a história e a cultura afro-brasileira.

Ele também ressaltou o papel do Instituto na ressignificação dos equipamentos culturais e na promoção de práticas comprometidas com o enfrentamento ao racismo. “Os corpos negros precisam estar nos museus não apenas como visitantes, mas também ocupando os espaços de decisão e contando a nossa própria história. É um trabalho coletivo, que exige diálogo, participação e compromisso permanente”, afirmou.

Na ocasião, o diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos Filho, ressaltou o compromisso do Instituto com a ressignificação dos equipamentos culturais e o fortalecimento do debate antirracista e destacou a importância da presença de pessoas negras nos espaços de gestão e decisão dos museus.
“Os corpos negros precisam estar nos museus não apenas como visitantes, mas também ocupando os espaços de decisão e contando a nossa própria história. É um trabalho coletivo, que exige diálogo, participação e compromisso permanente”, afirmou.

À tarde, uma audiência pública reúne instituições públicas, pesquisadores, entidades profissionais e representantes da sociedade civil para discutir ações e boas práticas de combate ao racismo nos museus baianos.

Populações historicamente invisibilizadas
Ao longo dos dois dias, a programação aborda temas como racismo estrutural, representatividade, diversidade institucional, políticas de memória e participação social. A proposta é promover o intercâmbio de experiências, identificar desafios e fortalecer estratégias de transformação das práticas museológicas, valorizando as memórias e os conhecimentos de populações historicamente invisibilizadas.

Durante o encontro, Lucas Ribeiro chamou atenção para a responsabilidade dos museus na construção das narrativas históricas e para a necessidade de democratizar o acesso da população a esses espaços. Segundo ele, as instituições também podem reproduzir mecanismos de exclusão. “Eu costumo pensar que os museus, muitas vezes, têm uma catraca invisível. Isso faz com que pessoas periféricas, pessoas negras e pessoas LGBT não entrem, seja por acharem que não são bem-vindas ou por não compreenderem essa lógica. O acesso democrático à cultura é um dever do Estado brasileiro”, afirmou.

Visitas e reconhecimento
Na quinta-feira (5), as atividades começam com visitas mediadas ao Solar Ferrão e ao Museu Abelardo Rodrigues. O percurso contempla aspectos históricos e arquitetônicos dos espaços, seus acervos e os processos de colonização, além das contribuições das populações indígenas, negras e afro-brasileiras para a formação cultural do país.

À tarde, estão previstas a apresentação do Comitê do Edital e a cerimônia de entrega do Selo Museus Antirracistas e do Troféu Muriquinho. Ao todo, 15 instituições e iniciativas serão reconhecidas por suas contribuições ao enfrentamento ao racismo e à promoção da equidade racial no campo museológico.
                                                                                
Fonte: Ascom/Ipac

 

Fonte: Governo da Bahia.

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