Prefeito e alto escalão deixam Ilhéus em dia útil para acompanhar ACM Neto, enquanto a cidade enfrenta alagamentos, obras recentes apresentam falhas e a rede de saúde vive colapso estrutural
Enquanto Ilhéus enfrenta alagamentos, obras recém-inauguradas já apresentando defeitos e postos de saúde em situação degradante, o prefeito Valderico Júnior decidiu se ausentar da cidade em pleno dia útil — e não foi sozinho.
O que se viu foi a saída de todo o alto escalão da Prefeitura: secretários, assessores e integrantes do gabinete, todos deixando suas funções para participar de uma agenda externa, política e sem qualquer resultado concreto para o município.
ÔNIBUS FRETADO, BONÉS E SLOGAN: GESTÃO OU CAMPANHA?
A comitiva deixou Ilhéus em ônibus fretado, com integrantes usando bonés com as iniciais do prefeito, em uma clara demonstração de autopromoção política. A viagem não teve caráter institucional, não teve anúncio de captação de recursos, não teve agenda pública de interesse do povo ilheense.
Teve, sim, apresentação de grupo político.
Em registros divulgados nas redes sociais, o secretário municipal da casa civil, Vinicius Ibrann chegou a declarar, em ligação com o líder político ACM Neto:
“Tamo junto. Ilhéus contigo em peso, pra amanhã.”
A frase é simbólica. Ilhéus “em peso” fora da cidade, enquanto a população enfrenta problemas básicos sem solução.
DIÁRIAS ALTAS, CONTRATOS MILIONÁRIOS E NENHUM RETORNO
A preocupação aumenta quando se observa o histórico recente de gastos da gestão. O prefeito já ultrapassou R$ 55 mil em diárias, além de ter contratado recentemente uma agência de turismo por R$ 1,2 milhão, sediada em Campos Sales, no Ceará.
Diante disso, a pergunta que ecoa nas ruas é simples e direta:
essa viagem foi paga com dinheiro público ou com recursos próprios?
A população espera, no mínimo, que nenhum centavo a mais seja retirado dos cofres municipais para bancar agendas políticas externas — especialmente quando viagens anteriores a Salvador, à China e a Portugal não trouxeram absolutamente nada de concreto para Ilhéus.
A CIDADE REAL: ALAGADA, DOENTE E ABANDONADA
Na zona sul, o bairro Nelson Costa, recentemente requalificado, ficou debaixo d’água após as chuvas. A Rua 13 de Maio, obra milionária recém-inaugurada, em poucos dias já apresentou problemas e agora precisa de manutenção, algo inadmissível para uma intervenção nova.
Nos bairros, postos de saúde funcionam em condições precárias, faltando estrutura mínima para atender a população. É o retrato de uma gestão que prioriza imagem e articulação política, enquanto os serviços básicos seguem em colapso.
ISSO NÃO É PERSEGUIÇÃO. É COBRANÇA.
É importante deixar claro: não se trata de perseguição pessoal ou política. Trata-se de cobrança por responsabilidade administrativa.
A Constituição Federal é clara ao exigir que gestores públicos respeitem os princípios da moralidade, impessoalidade e eficiência. O uso de estrutura pública, servidores em horário de expediente e símbolos pessoais para promoção política levanta questionamentos graves, inclusive sob a ótica da Lei de Improbidade Administrativa.
900 MILHÕES POR ANO. E O POVO NA LAMA.
Ilhéus arrecada mais de R$ 900 milhões por ano. Em quatro anos, isso se aproxima de R$ 4 bilhões. Diante desses números, já não cola o discurso de que “não há recursos”.
A pergunta final é inevitável:
se nem o básico está sendo resolvido, para quem essa gestão está governando?
O povo de Ilhéus não precisa de slogan, boné ou demonstração de força política fora da cidade.
Precisa de prefeito presente, gestão eficiente e respeito.
E se o poder não serve ao povo, o povo precisa saber.
David Res Pinto

