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QUASE R$ 900 MILHÕES EM CAIXA, E MULHERES EM ÚLTIMO PLANO NO ORÇAMENTO DE ILHÉUS

 

O prefeito de Ilhéus, Valderico Jr (União Brasil), publicou no Diário Oficial do Município a estimativa de despesas para 2026. O documento revela como a gestão pretende distribuir quase R$ 900 milhões em recursos públicos no próximo ano. Os números não mentem — e tampouco escondem as prioridades do governo.

Entre todos os dados, um salta aos olhos e causa indignação: a Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres receberá apenas R$ 1,4 milhão, figurando entre as menores dotações de toda a Prefeitura. Em uma cidade marcada por violência doméstica, desigualdade social, desemprego feminino e ausência de políticas de acolhimento, o recado do prefeito é claro: mulheres não são prioridade.

A situação se torna ainda mais grave quando se lembra que a titular da pasta é a vice-prefeita Wanessa Gedeon, frequentemente exaltada pelo prefeito como “co-prefeita” em discursos públicos. Mas, na prática, a realidade é outra. Que tipo de “co-prefeita” administra uma das pastas mais sensíveis do município com um orçamento simbólico, quase decorativo?

O contraste beira o deboche. A Secretaria de Políticas para Mulheres receberá menos recursos do que a Fundação Universidade Livre do Mar e da Mata, que terá cerca de R$ 2,2 milhões. Ou seja, para esta gestão, uma fundação vale mais do que a proteção das mulheres de Ilhéus.

A pergunta que ecoa nas ruas é simples e direta: como proteger mulheres sem recursos?
Onde serão acolhidas as vítimas da Lei Maria da Penha?
Quem financiará abrigos temporários?
Como promover capacitação profissional, autonomia financeira e inclusão no mercado de trabalho feminino?
Como garantir atendimento psicológico, jurídico e social?

A resposta está no orçamento: não haverá estrutura.

O que se vê é uma estratégia política conhecida. O prefeito explora a imagem da vice-prefeita em palanques e discursos, vende um governo “sensível” e “inclusivo”, mas sabota qualquer possibilidade real de ação, asfixiando financeiramente a secretaria que deveria liderar essa pauta. Na prática, Valderico Jr transforma a vice em peça de marketing, enquanto impede que ela entregue resultados.

Isso cria um divisor claro:
➡️ De um lado, a vice-prefeita, associada ao discurso de cuidado, inclusão e proteção.
➡️ Do outro, o prefeito, que corta recursos, inviabiliza políticas e revela desprezo institucional pelas mulheres.

A população percebe. E começa a entender que não se trata de incapacidade da secretaria, mas de decisão política do chefe do Executivo.

Enquanto isso, dinheiro não falta para outras áreas:

  • R$ 239 milhões para Educação

  • R$ 180 milhões para Saúde

  • R$ 112 milhões para Infraestrutura e Defesa Civil

  • R$ 80 milhões para Serviços Urbanos

  • R$ 37 milhões para Ordem Pública

  • R$ 36 milhões para Transporte e Trânsito

E aqui surge outra ferida aberta. Em 2025, a Prefeitura de Ilhéus repassou cerca de R$ 26,4 milhões às empresas privadas de ônibus, que prestam um serviço amplamente criticado pela população. Em 2026, a autarquia do transporte terá R$ 36 milhões. A pergunta é inevitável: quanto desse dinheiro voltará a irrigar empresas privadas, enquanto mulheres recebem migalhas?

O retrato final é revoltante:
👉 Empresas privadas de ônibus recebem até 20 vezes mais recursos do que a pasta responsável por proteger mulheres.
👉 A vice-prefeita é usada como símbolo, mas privada de poder real.
👉 O prefeito governa com discursos vazios e números que desmentem cada palavra.

Se a vice-prefeita quiser, de fato, cumprir o papel que lhe atribuem nos discursos, terá que se posicionar. Porque, do jeito que está, ela responde à população sem ter ferramentas, enquanto o prefeito concentra decisões e empurra a conta política para os outros.

No fim, o orçamento revela tudo aquilo que os discursos tentam esconder:
Valderico Jr governa contra as mulheres.
E quando um governo vira as costas para metade da população, o povo precisa reagir.

Porque quando o poder não serve às mulheres, o povo precisa saber.

Redator : David Reis



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